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Sonhos e esperanças

Escola de Educação Infantil Trenzinho da Alegria.

“Realmente estamos aqui por amor”.

Rua Senhor do Bom Fim. Número 956. Bairro Sarandi.

Todos os dias, às sete horas da manhã, Simone Cristiano abre as portas de um lugar que significa proteção para 54 crianças de comunidades carentes do Bairro Sarandi, em Porto Alegre. A Escola de Educação Infantil Trenzinho da Alegria, que já tem mais de 30 anos de existência, acolhe crianças com muito amor e carinho diariamente.

O lugar conta com nove funcionários. Quatro educadores, uma cozinheira, uma auxiliar de serviços gerais e um psicólogo que atende as famílias da Escola e da comunidade ao redor. Leoni de Oliveira Pereira é a diretora. Anajara Rocha Vicente é a assistente social. Simone Cristiano é a coordenadora pedagógica. Crianças de cinco comunidades são atendidas pela instituição: Vila Nossa Senhora Aparecida, Ipê, São Borja, Recanto do Chimarrão e Santo Agostinho. Todos os alunos e seus familiares recebem atendimento psicológico disponibilizado pela Escola.

Leoni de Oliveira, Anajara Rocha e Simone Cristiano. 

A rotina das crianças, de 0 a 6 anos de idade, é simples, mas cheia de carinho e cuidado. Elas fazem 4 refeições durante o dia: café da manhã, almoço, lanche da tarde e janta. Em meio a isso, são desenvolvidas atividades pedagógicas, trabalhos de musicalização e projetos que contemplam as diferentes linguagens da educação em sala de aula. Datas comemorativas, para as crianças e para a comunidade, são planejadas e festejadas e durante o mês de fevereiro é realizado um momento de acolhimento aos alunos.

Os ambientes se enchem de vida e alegria, com móveis coloridos, brinquedos e, claro, com a presença das crianças, que estão sempre com um sorriso no rosto.

Crianças almoçando no refeitório da Escola.

“Nós temos um sonho”.

A Escola possui dois andares, porém algumas salas do lugar não podem ser utilizadas por falta de recursos. Além disso, um posto de saúde abandonado fica no terreno ao lado, que também pertence à Escola, mas não há condições financeiras de reformá-lo. Anajara Rocha, assistente social, conta que o grande sonho de quem trabalha lá é poder ampliar o atendimento de alunos. Construir novas salas e novos espaços para criar um Turno Inverso que consiga atender crianças em idade escolar.

Também são necessárias algumas adequações, como a troca de mobílias, contratação de profissionais, pintura de paredes e conserto do piso. Tudo isso junto aos gastos com a alimentação.

Antigamente, as famílias conseguiam contribuir com alguma quantia por mês e isso ajudava a cobrir os gastos com despesas imprevistas. Porém, hoje em dia a doação diminuiu a quase nada. Uma das situações mais complicadas e inesperadas que a Escola enfrentou foram os arrombamentos e os roubos aos botijões de gás e aos extintores de incêndio.

Posto de saúde abandonado no terreno ao lado da Escola.

“É um espaço de proteção”.

Mas mesmo com todas as adversidades, a Escola se mantém de pé. Leoni distribui os recursos e as doações recebidas da melhor forma que consegue para continuar fazendo o que ama. A possibilidade de fechar as portas já foi cogitada, mas a diretora não consegue simplesmente deixar para trás o lugar que é a alegria de tantos alunos: “Como é que eu vou fazer isso?”.

A diretora Leoni de Oliveira trabalha como voluntária.

“As pessoas poderiam conhecer o nosso trabalho e saber que a gente existe”.

A esperança é de que a Escola Trenzinho da Alegria ganhe mais visibilidade, que mais pessoas possam conhecer o trabalho que é feito lá, com afeto, carinho e força de vontade de nove profissionais que diariamente trabalham para chegar cada vez mais perto de seus sonhos.